estatísticas de uma viagem

Posted in escritos fotográficos, fotografia, metalinguagem with tags , on fevereiro 2, 2009 by Caio Paganotti

10.500 kms.

1550 fotos.

28 dias.

15 estados.

uma média de uma foto a cada 6,7741935483870967741935483870968 kms.

ou 0,14761904761904761904761904761905 fotos por km.

ou 55,357142857142857142857142857143 fotos por dia.

ou 375 kms por dia.

ou 103,33333333333333333333333333333 fotos por estado.

ou 700 kms por estado.

ou 1,8666666666666666666666666666667 dias por estado.

e por aí vai.

mas, na realidade, nada funciona como nas estatísticas. a vida não é uma curva de nível.

algum tempo pra selecionar e tratar as fotos. e as posto por aqui.

aguardem.

episode IV – a new hope

Posted in fotografia, metalinguagem with tags , on fevereiro 2, 2009 by Caio Paganotti

tá bom.

vamos tentar de novo.

este será mais um novo recomeço e blábláblá. como assegurar que será verdade dessa vez? e não só mais um false start? não sei. mas como grandes amigos me disseram ultimamente: azeite. é pra escrever e pronto. se não der certo, não deu. se der certo, não deu. e pronto. sem maiores preocupações.

vamos ver no que dá…

sem título

Posted in escritos fotográficos with tags on setembro 23, 2008 by Caio Paganotti

 

Sentou em frente à máquina de escrever. Era um computador, na verdade. Mas tudo ficava amplamente mais interessante e romântico quando ele transmutava a realidade ao seu favor.

A camisa entreaberta poderia até sugerir um clima ameno, final de primavera. Mas não era. Era definitivamente verão. Ou poderia ser um inverno, também – o tempo, nessas terras, não dá margem a interpretações bem resolvidas. Estava quente. Suficientemente quente para que a camisa enfeitasse alguma cadeira da sala ou algum outro canto igualmente irrelevante. Mas ela se achava entreaberta, cobrindo o corpo indeciso. Estava protegendo-se de algo, como os homens de antigamente atrincheiravam-se sob chapéus, querendo acreditar que um deus havia – e ele haveria de merecer respeito!

Mas nessa noite, deus nenhum pairava sobre o quarto. Restava um respeito apenas silencioso pela noite, amante de longa data. Restava um medo de revelar-se a impossíveis espectadores.

As costas arqueavam. A máquina de escrever estava a uma altura perfeita. A cadeira acompanhava-na. Mas as costas ainda não estavam certas. Como um arco antigo, puxado demasiadamente, tendo disparado demasiadamente – acertado às vezes –, seu corpo começava a pedir pelo calmo descanso de um museu. O peso de todas as suas palavras – as lidas e as escritas – começava a cair sobre os ombros, emprestando um semblante triste ao rosto que quase surgia em suas costas com a parca iluminação do quarto.

Talvez era exatamente essa vergonha, a vergonha de ser apenas mortal, que a camisa lhe cobria.

O cordão apertava o pescoço. Sempre apertava. O pingente de metal frio trazia o toque de uma velha amante, que não a noite. A peça enconstava, dançando aos ventos, na base do pescoço, como se fosse um dedo frio que, às vezes, decidia enforcar – mas que afastava rapidamente.

O branco da página lhe sorria rispidamente. Tingia sua visão além da página, alvejava o quarto, a vista da janela, o mundo.

Um incômodo incessante na garganta. Havia algo errado. As mãos tremiam e buscavam o maço de cigarros, amassado de tão fiel. Acendeu um cigarro e puxou muita fumaça para dentro – tentava deglutir as palavras garganta abaixo. Elas não saíam de lá. Era mais que claro que, para dentro, elas não iriam. A fumaça invadiu os pulmões, noturna, desejando habitá-los eternamente. O caminho inverso trouxe certa aspereza e ânsia, mas ainda sem resultados.

Havia engolido as próprias palavras. E sem muito sucesso, aparentemente.

ao lado

Posted in escritos fotográficos with tags on setembro 4, 2008 by Caio Paganotti

aos diabos o meu blog. aos diabos quaisquer palavras que não aquelas. aos diabos com as coisas que eu já escrevi ou não quis escrever para não ser dominado por sentimentos.

aos diabos os livros que eu comprei, os livros que eu li e a subtração ridícula daqueles por estes. aos diabos os grandes escritores, os famosos, os compreendidos, os incompreendidos.

aos diabos o tempo que passei na cama, afundando em areia. aos diabos as vezes que preferi qualquer outra coisa que não a verdadeira. aos diabos os olhos falsos e os olhos que jamais perceberão o que é não ter olhos a nada mais.

aos diabos tudo o que algum dia me tomou tempo – tempo que sempre deveria ter sido tão seu, tão verdadeiramente e fielmente seu.

arrependo-me de todas as escolhas que me levaram ao longe. todas as letras vindas de longe. todas as aventuras que eu nunca vivi, todos os sentimentos que se criaram ao longe. toda a vida que me aqueceu o olhar, todos os contos e todas as palavras tão distantes de mim.

hoje eu descobri o meu melhor autor. hoje eu achei as palavras que há muito haviam ido. hoje eu aprendi o que é amar, o que é perder, o que é sentir, o que é viver e o que é viver a falta de alguma coisa. hoje eu li. hoje as palavras vieram a mim, como se fosse a maneira mais natural.

hoje descobri o meu melhor autor.

e ele dorme no quarto ao lado.

http://8frases.blogspot.com

Pérolas aos porcos?

Posted in fotografia, mil palavras with tags , on agosto 6, 2008 by Caio Paganotti

Pérolas aos porcos?

Estamos vivenciando uma grande expansão imagética. O modo de produção artístico nunca se aproximou tanto das massas.

De 1839 a um distante 1888, muitos artistas-inventores mergulharam no desconhecido mundo fotográfico, um mundo tão caro quanto excêntrico. Foi apenas no já dito 1888, que George Eatsman kodaqueou o tão famoso “you press the button and we do the rest”. Não há muitos relatos subjetivos de tal (r)evolução para contar história – a maravilhosa blogosfera ainda levaria mais de século para nascer. Podemos apenas imaginar o que corria nas bocas dos especialistas e o que explodia nos corações de quem teria uma nova oportunidade.

As máquinas fotográficas rapidamente deixavam de pesar quilogramas ao quadrado e se tornavam mais portáteis e – o mais importante! – acessíveis. Até então, a fotografia era linguagem de ricos e especialistas, um capricho de inventores e afixionados pelo novo. Ao mesmo tempo que acessível e compacta, a fotografia se tornava alvo e interesse de muitas pessoas. Afinal, um modo de produção imagética instantâneo haveria de conquistar os corações de todos.

É por volta desse período que temos o surgimento de um movimento deveras importante na história da fotografia, o Pictorialismo. Em poucas e injustas palavras, o Pictorialismo se definia como defensor do caráter artístico da fotografia (havia, na época – e quem sabe até hoje! –, uma grande discussão se a fotografia deveria ser encarada apenas como documento, como mimese, ou como uma forma de expressão, como arte). Seja pelo processamento complicado, pelas composições similares às da pintura, pelas técnicas de singularização do negativo, o Pictorialismo tentava negar a reprodutibilidade e caráter de documentação que eram inerentes à fotografia naquela época.

Não digo que uma coisa é conseqüência da outra – o acesso facilitado à fotografia e o Pictorialismo. Mas creio que alguma ligação deve ter havido.

E agora chego ao pensamento principal contido nesse amontoado de palavras: o que dizer dessa “popularização” da fotografia? Seria dar pérolas aos porcos?

Digo essas palavras enquanto faço uma careta – parece-me elitista e egoísta querer reservar um tipo de processo a um certo tipo de pessoa. Creio que o aumento da acessibilidade tenha sido fundamental para o desenvolvimento da fotografia em seus vários aspectos, documental, artístico e filosófico. O Pictorialismo, por exemplo, sucumbiu ao Modernismo fotográfico, munido de diversas vertentes espalhadas pelo mundo inteiro. E esse fato se deu, entre outros motivos, pela popularização do instrumento fotográfico.

Obviamente, nesse caso, o maior e mais fácil acesso semeou um futuro melhor para a fotografia.

Anos passam, guerras se criam e se desfazem, morre John Lennon, Bill Gates fica rico, o All-Star entra na moda, o All-Star sai de moda e é criada a fotografia digital. Então o All-Star entra na
moda novamente.

Um mundo de possibilidades se abre na fotografia: o simples fato de se descartar os gastos financeiros corriqueiros (apesar do alto investimento inicial) e a espera pelo resultado – fetiche fotográfico amansado pelo advento polaróidico – tornou a fotografia digital tão fascinante e tentadora que o número de máquinas fotográficas foi crescendo absurdamente. Modelos novos são lançados, memórias mais rápidas, mais controles, maior resolução, detector de sorrisos… E isso sem falar na invasão fotográfica que sofreram os aparelhos de telefonia móvel.

Não é preciso salientar que o acesso à fotografia, uma vez mais, se torna facilitado.

A fotografia se tornou presente e necessária em qualquer evento. O especial, que antigamente era gravado em película, hoje se aglomera ao corriqueiro gravado no sensor compacto.

Não quero entrar aqui no mérito do fotográfico ou até mesmo do fotografável – há ainda muita água a correr nesse rio. Mas o que interessa agora é a procura por um maquinário cada vez mais especial e que possa proporcionar um avanço no aprendizado, que pode ser relativo a um hobby e até evoluir para a profissão.

E no meio disso tudo, as DSLR (Digital Single Lens Reflex), máquinas consideradas semi e profissionais, mostram o maior aumento de vendas no setor fotográfico. Teríamos aqui, talvez, uma maior especialização do consumidor? Ou apenas pérolas aos porcos?

Em sua nova busca por mais informações e mais tecnologia, o nosso consumidor de base evoluiu a um consumidor médio. Já o consumidor médio, pulou uma posição no pódium, e começa agora a se aventurar nos conceitos profissionais da fotografia.

Talvez ainda seja cedo demais para chegar-se a alguma conclusão sobre esse novo boom de equipamentos fotográficos se não profissionais, mais sérios. Há pontos positivos e pontos negativos, obviamente.

Temos uma maior demanda no setor de compra: produção, pesquisa e desenvolvimento precisarão acompanhar. Porém, o mercado de trabalho é inflado. A pequena possibilidade de transformar um hobby em fonte de renda parece tentadora aos olhos de qualquer um. Possíveis resultados: um rápido sucateamento do mercado de trabalho; os novos “profissionais” desvalorizam o próprio trabalho a fim de penetrar num mercado complicado e bem definido. Em outras pequenas e egoístas palavras, qualquer um se torna “capaz” de realizar um trabalho fotográfico.

Examinando a situação com outros olhos, a fotografia muito tem a ganhar com essa super-exposição que anda ganhando nesses últimos anos. Muitas pessoas passaram a se interessar pelo ato fotográfico – e não só pela fotografia fisicamente dita. Temos um crescendo de apertadores de botão que descobrem a fotografia como arte, como expressão – e se tornam fotógrafos. A arte fotográfica ganha mais espaço: mostras, museus, palestras, feiras, convenções, leilões, cursos, faculdades, teses, concursos.

Talvez por sua linguagem ser facilmente apropriável, a fotografia só tem a crescer em números de usuários – aqueles que fotografam regularmente por hobby, os que a tem como profissão ou os que fotografam a festinha de 5 anos do afilhado. Na balança final, os prós e contras disputam a unhas e dentes pra qual lado penderá a mudança que a fotografia digital proporcionou. Mas ainda há muito a ser clicado sobre esse assunto. E como os cartões de memória são contados em gigabytes agora, ainda veremos muitas fotos sobre esse assunto por aí.

Fecho as minhas mil palavras com muitos pensamentos não ditos. Talvez seja necessário fotografar mais e pensar menos. Ou não.

E agora vai…

Posted in fotografia, metalinguagem with tags , on agosto 6, 2008 by Caio Paganotti

Ok. Vamos nessa. Agora esse blog engrena.

Vamos tentar caprichar no formato: sabe aquela idéia que diz que “uma fotografia vale mais que mil palavras”? Pois bem, partiremos daí.

A proposta é simples: eu tenho mil palavras pra tentar dizer o que eu quero dizer sobre determinado assunto de fotografia. Beleza? É pouco? É muito? Sei lá. Vamos vendo por aí.

I. Do título e do porquê do título.

Posted in fotografia, metalinguagem with tags , on julho 28, 2008 by Caio Paganotti

Ok. Vamos começar do começo.

Criei esse blog pra falar de fotografia.

É isso aí.

Bem simples.

Técnica, crítica, prática? Sim. Mas principalmente filografia. Ou fotosofia. Ou sei lá o quê.

Quero compartilhar com o(a) meu(minha) prezado(a) leitor(a) todas as pequenas grandiosidades que me aproximam cada vez mais da arte fotográfica. Pensamentos sobre o processo, leituras importantes, fotos geniais etc.

Este espaço será primordialmente pra dividir experiências e conhecimentos – algo que me parecia muito latente há pouco tempo. Quem sabe esse blog não se transforma numa pequena base de dados fotográficos, cresce e vira algo maior?

Eu até juraria fidelidade absoluta e permanência cega aqui. Mas irei além das palavras e tentarei demonstrar a minha próxima relação com a fotografia de maneira mais física (ou não – afinal estamos no mundo virtual).

(…)

Objetos de Melancolia – o título desse blog foi retirado de um capítulo do livro Sobre Fotografia, de Susan Sontag – leitura obrigatória que será, certamente, abordada muito em breve aqui. Desse mesmo capítulo, saiu a frase que paira sobre o blog.

Por quê? Sempre me pareceu muito irônico quando os grandes pensadores tentavam resumir a fotografia (seja como meio de comunicação, como arte ou como não-arte) através de algumas palavras. Não sei bem o porquê, mas me parece que algumas coisas simplesmente não foram feitas com algum tipo de tradução em mente. E todos cansamos de ser bombardeados pelo maior clichê fotográfico existente: “uma imagem vale mais que mil palavras”. Bom, sendo assim, quantas palavras seriam necessárias para que a fotografia se transformasse em um vocábulo facilmente explicável? Quantas já foram escritas?

Há os que expliquem a fotografia como um processo químico e blábláblá. Há os que a transcrevam como uma ideologia. Whatever. Eu tento olhar a coisa de uma maneira um pouco mais ampla. Comparemos a fotografia a algo mais corriqueiro e facilmente explicável: o amor – ok, péssimo exemplo (quem acha que o amor é facilmente explicável levanta a mão). Seria o amor uma sucessão de reações químicas e hormônios interpretados pelo cérebro? Ou seria o amor apenas uma palavra, facilmente associável a um sentimento? Quem sabe o sentimento de completude e satisfação proveniente de um relacionamento estável com um outro indivíduo? Talvez aquele pôr do sol em Fernando de Noronha explique o que é o amor. E aí? E agora?

Talvez o amor esteja bem por si só, sem que as pessoas tentem explicá-lo. Mas é da constituição humana traduzir as coisas em outras coisas que serão traduzidas em outras coisas.

Talvez a fotografia estivesse bem por si só. Mas há os que nunca a deixaram quieta em seu canto. Dessa relação luxuriosa, vários livros, tratados, ensaios, artigos e idéias nasceram.

E uma dessas idéias me levou a olhar para as fotografias como se fossem objetos de melancolia – coisas que nos parecem tão presentes pelo simples fato da ausência comprovada. Mas aí estou colocando a Ferrari à frente dos 350 cavalos. Voltemos:

Tomei uma pequena frase e um título emprestados da Susan Sontag – e espero merecê-los, honestamente. Acho que, agora, é tudo o que nos basta saber.

E viajarei aqui por outras tentativas de explicação, outros ensaios, outros pensamentos – meus (sim, isso soou muito pedante) e de autores consagrados.

Explicações feitas. Resta dúvidas?